Cafeína até que horas? A regra das seis horas vem de um estudo com doze pessoas

Bruno Lopes
Resposta curta
Não há uma hora igual para todos. A regra de cortar seis horas antes de deitar vem de um ensaio com doze pessoas e 400 miligramas de cafeína de uma vez, cerca de cinco cafés. Com 100 miligramas, um ensaio de 2025 não encontrou efeito nenhum.
Almoçou, tomou o café de sempre e, à meia-noite, está na cama com a cabeça a funcionar. Já leu em três sítios diferentes que a culpa é do café da tarde, e há duas semanas que não bebe nada depois das duas. Continua a demorar quarenta minutos a adormecer.
Ou então é o contrário. Bebe quatro cafés por dia, o último às seis da tarde, e adormece em cinco minutos. Dizem-lhe que devia cortar, a experiência dele diz que não, e ninguém lhe explica porquê.
A recomendação que vai encontrar em quase todos os sítios tem um número: seis horas. Nada de cafeína nas seis horas antes de deitar. O número não foi inventado — tem um ensaio publicado por trás — mas quase nenhum dos textos que o repetem foi ver quantas pessoas estavam nesse ensaio e que dose lhes foi dada.
Foram doze pessoas, e a dose foram 400 miligramas de cafeína de uma vez — num balcão português, cerca de cinco cafés ao mesmo tempo. Este artigo vai à origem do número, traduz a dose para o que se serve por cá, e mostra o que aconteceu quando uma equipa decidiu, em 2025, testar a dose de um café a sério.
De onde vem a regra das seis horas
A regra das seis horas vem de um único ensaio, publicado em 2013 no Journal of Clinical Sleep Medicine por uma equipa do Henry Ford Hospital, em Detroit. O desenho é bom, e vale dizê-lo antes de lhe apontar os limites: duplo-cego, com placebo, e cada participante passou por todas as condições.
A dose foram 400 miligramas de cafeína em cápsula, dados zero, três ou seis horas antes da hora habitual de deitar, com placebo nos outros dois momentos da mesma noite. O sono foi medido em casa, com um aparelho de registo.
O resultado que fundou a recomendação é este: com a cafeína tomada seis horas antes de deitar, o tempo de sono medido caiu de 7,68 para 6,50 horas. São mais de setenta minutos de sono perdidos por uma cápsula tomada à tarde. O sono profundo baixou na mesma direção, de 71 para 49 minutos — a fase que está explicada em sono profundo e sono REM.
E há um detalhe que é a parte mais interessante do ensaio, e a que praticamente nunca se cita: os participantes não deram por nada. Nas respostas que escreveram sobre a própria noite, aquela em que tinham tomado cafeína seis horas antes não pareceu pior do que as outras. O sono desapareceu e a pessoa não notou.
O ensaio tinha doze participantes. Não é um defeito escondido — é a escala normal de um estudo de sono, e os autores não a disfarçam. É apenas o número que desaparece pelo caminho, quando a conclusão viaja para uma notícia, da notícia para uma lista de dicas, e da lista para a frase que hoje se diz como se fosse uma lei da física.
Quatrocentos miligramas são quantos cafés?
Quatrocentos miligramas de cafeína são muito mais do que um café. A medição portuguesa mais citada, feita em cafés da restauração e publicada em 2009, encontrou uma média de 74,5 miligramas de cafeína por expresso: cerca de 62 num café curto, 72 num médio e 88 num cheio.
Convém dizer o que esse número é e o que não é. É um relatório técnico de 2008, depositado no repositório da Universidade do Porto — não é um ensaio revisto por pares, e o café de hoje não tem de ser o de há dezoito anos. Como medição do que sai de uma máquina portuguesa é a melhor coisa que existe; como número de precisão, não é.
Pela conta da restauração portuguesa, os 400 miligramas dos ensaios são cinco cafés de uma vez — e não é isso que alguém faz às cinco da tarde. É aqui que a regra começa a rachar: o efeito que se cita foi medido com uma dose que quase ninguém toma na forma em que foi testada.
A dose por chávena também não se adivinha. Numa análise de 2012 na Food & Function, vinte expressos comprados ao balcão foram de 51 a 322 miligramas de cafeína — seis vezes de diferença entre a chávena mais fraca e a mais forte. São vinte amostras de uma só cidade britânica e não se transpõem para cá; servem para mostrar que a dose de café moído manda mais do que o nome da bebida.
Para referência europeia, que é a que vale em Portugal, o parecer da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos de 2015 fixa duas balizas para adultos saudáveis: 200 miligramas numa só dose e 400 ao longo do dia. E diz uma coisa que raramente é citada com ele: 100 miligramas podem aumentar o tempo a adormecer e encurtar o sono em algumas pessoas, sobretudo perto da hora de deitar. Algumas pessoas. Não todas.
O ensaio que testou a dose de um café
Em 2025, na revista Sleep, saiu o ensaio que faltava: em vez de repetir a dose alta, testou duas doses e três distâncias da hora de deitar. Vinte e três homens jovens, consumidores moderados de cafeína, passaram por sete condições — 100 ou 400 miligramas, tomados doze, oito ou quatro horas antes de deitar, mais o placebo — com o sono medido em casa por polissonografia parcial.
O resultado dos 100 miligramas é o dado que falta em todos os textos sobre o assunto: não houve efeito mensurável no sono, nem objetivo nem percebido, em nenhuma das três distâncias. Nem a quatro horas de deitar.
Com 400 miligramas foi outra história. A essa dose apareceram atrasos no início do sono e alterações na arquitetura da noite mesmo com a cafeína tomada doze horas antes de deitar; a fragmentação agravou-se a partir das oito horas; e a qualidade percebida só piorou às quatro horas. Na dose alta, portanto, a regra das seis horas é demasiado generosa, não demasiado severa.
A pergunta não é a que horas se corta o café. É quanta cafeína entrou no corpo, e a que velocidade aquele corpo a desmonta — e essa velocidade chega a variar seis vezes entre duas pessoas saudáveis.
Os limites deste ensaio dizem-se em voz alta, porque são grandes. Vinte e três participantes, todos homens, todos jovens, todos consumidores moderados: não há aqui mulheres, não há pessoas de sessenta anos, não há quem beba dez cafés por dia. Um resultado nulo numa amostra deste tamanho não prova que o efeito não exista — prova que, na dose de um café, é pequeno o suficiente para escapar a um ensaio bem feito.
Então porque é que a recomendação diz 8,8 horas?
O número de 8,8 horas vem de uma meta-análise de 2023 assinada pela mesma equipa, na Sleep Medicine Reviews, e é a origem dos títulos que mandam cortar o café nove horas antes de deitar. Juntou 24 estudos e encontrou, no conjunto, menos 45 minutos de sono total, menos sete pontos de eficiência do sono, mais nove minutos para adormecer e mais doze minutos acordado durante a noite.
Onde a leitura popular se desvia é no que as 8,8 horas são. Não são um tempo observado a partir do qual o sono deixa de sofrer: são o resultado de um modelo que cruza dose, tempo e efeito, e pergunta a que distância uma dose determinada deixaria de reduzir o sono total. Para os 107 miligramas de um café de filtro de 250 ml, o modelo devolve 8,8 horas; para os 217,5 miligramas de uma dose de pré-treino, devolve 13,2 horas.
Uma extrapolação de modelo não tem o peso de uma medição, e foi por isso que a mesma equipa foi depois fazer o ensaio da secção anterior. As duas coisas não se contradizem tanto como parece: uma estima a partir de estudos feitos sobretudo com doses altas, a outra mede a dose baixa de frente. Quando um modelo e uma medição direta discordam, manda a medição.
Porque é que não há uma hora igual para todos
A semivida da cafeína é o tempo que o corpo demora a eliminar metade da dose, e num adulto saudável ronda as quatro a cinco horas. Esse é o valor médio: a revisão de 2018 na Pharmacological Reviews reuniu valores publicados entre uma hora e meia e nove horas e meia, de pessoa para pessoa.
Faça a conta com os dois extremos e a regra das seis horas desfaz-se sozinha. Um café às quatro da tarde, numa pessoa com semivida de uma hora e meia, chega à meia-noite praticamente reduzido a nada. O mesmo café, na pessoa de nove horas e meia, chega à meia-noite com mais de metade da dose a circular. A mesma hora no relógio, dois corpos, dois resultados opostos — e ambos dentro do normal.
A variação não é mistério. Quase toda a cafeína é desmontada por uma única enzima do fígado, a CYP1A2, cuja atividade muda com a genética de cada um e com uma lista de fatores que a revisão de 2018 enumera: idade, sexo e hormonas, doença do fígado, obesidade, tabaco e alimentação. A hora certa para si, portanto, não está em nenhum artigo — incluindo neste.
O efeito que não é sobre adormecer
Há um efeito da cafeína que não tem que ver com demorar a adormecer, e é talvez o mais interessante de todos: ela mexe com o relógio interno. Num estudo de 2015 na Science Translational Medicine, uma dose equivalente a um café duplo, três horas antes da hora habitual de deitar, atrasou em cerca de 40 minutos o momento em que o corpo começa a segregar a hormona que lhe sinaliza o começo da noite.
Um atraso do relógio não é o mesmo que uma noite pior. É o corpo a passar a achar que a noite começa mais tarde — o que, repetido, empurra a hora a que dá sono e a hora a que apetece acordar. Para quem já se deita tarde e tem de acordar cedo, esse empurrão é a última coisa de que precisa. É o mesmo eixo de que trata, por outra via, o artigo sobre o álcool e o sono — e é o eixo que se empurra na direção contrária com a luz da manhã, que é o sinal mais forte que esse relógio recebe.
E agora a parte honesta, que é também a razão pela qual este número não abre o artigo: o estudo tinha cinco participantes. Cinco. Três mulheres e dois homens, num protocolo laboratorial longo, com a hormona medida em amostras de saliva. É o desenho certo para a pergunta e é a amostra mais pequena de todo este artigo. O achado é plausível e o mecanismo é coerente com o que se conhece da adenosina; cinco pessoas continuam a não sustentar um número que se cite como firme.
E quem bebe café todos os dias?
Quem bebe café todos os dias está numa situação diferente de quem toma uma cápsula de 400 miligramas num ensaio, e há um estudo que olhou para isso. Em 2021, na Scientific Reports, vinte homens habituados a cafeína passaram dez dias a tomar 150 miligramas três vezes ao dia, em duplo-cego com placebo e com o sono medido por polissonografia.
O efeito na arquitetura do sono e na qualidade percebida foi desprezável. Não desapareceu tudo: a atividade elétrica do cérebro mostrou alterações numa faixa de frequências associada ao sono profundo. Mas o sono, como a pessoa o vive e como se mede em minutos, manteve-se.
Antes de tirar disto a conclusão errada, veja onde caíam as doses. A última das três era tomada cerca de oito horas depois de acordar: a meio da tarde, portanto, e a umas oito horas do deitar. O estudo não testou café à noite em consumidores habituais e não diz nada sobre isso. Diz uma coisa mais estreita e ainda assim útil: 150 miligramas a meio da tarde, em quem está habituado, não estragaram o sono de ninguém.
O que a evidência sustenta, e com que força
| O que se diz | O que a evidência mostra | Força da prova |
|---|---|---|
| Nada de cafeína seis horas antes de deitar | Perda de mais de 70 minutos de sono, mas com 400 mg | Fraca para a dose de um café |
| Um café à tarde estraga a noite | 100 mg não tiveram efeito a 4, 8 ou 12 horas do deitar | Contra, num ensaio de 23 pessoas |
| Doses altas devem parar cedo | Efeitos com 400 mg até 12 horas antes de deitar | Moderada, com dose-resposta |
| Corta-se 8,8 horas antes | Extrapolação de um modelo sobre 24 estudos | Indireta, não medida |
| A cafeína atrasa o relógio interno | Cerca de 40 minutos de atraso no sinal hormonal da noite | Preliminar, cinco participantes |
| Não há uma hora igual para todos | Semivida publicada de 1,5 a 9,5 horas | Forte, e consensual |
| Quem bebe todos os dias fica imune | Sem efeito relevante com 150 mg a meio da tarde | Moderada, e só até à tarde |
| A pessoa sente o sono que perdeu | No ensaio de 2013 ninguém deu pela perda | Forte, e contraintuitiva |
Quando o problema não é o café
Cortar a cafeína e continuar sem dormir é uma informação, não um fracasso: significa que a cafeína não era o fator dominante, e vale mais descobri-lo em duas semanas do que em anos a apertar a mesma regra.
As alternativas mais comuns estão noutros artigos: as horas estão lá e o descanso não, que é o caso de dormir oito horas e acordar cansado; a cabeça arranca quando a luz se apaga, e o caminho é o que fazer quando não consegue adormecer; ou o problema está no conjunto dos hábitos, que é o assunto da higiene do sono.
E se a dificuldade em adormecer acontece em três ou mais noites por semana há mais de três meses, deixou de ser matéria de artigo: a insónia crónica tem tratamento próprio, cuja primeira linha é a terapia cognitivo-comportamental para a insónia.
Então, até que horas?
A resposta honesta é que a pergunta não tem número. E se for preciso um, o mais defensável não é uma hora do relógio mas uma quantidade: acima de cerca de 200 miligramas de uma vez, o fim da tarde é má altura; abaixo disso, a evidência disponível não sustenta a proibição que se lê por aí.
A pergunta melhor é a que ninguém escreve no Google: quanta cafeína entrou no meu corpo hoje, e a que velocidade é que eu a desmonto? A primeira parte responde-se com uma soma de dois minutos. A segunda, com duas semanas de observação.
E há uma coisa concreta para esta semana, gratuita e sem mudar de vida. Durante sete dias, escreva num papel — ou no telemóvel — só duas coisas: a hora do último café e quanto tempo demorou a adormecer. Na semana seguinte, passe o último café três horas para trás e registe o mesmo. Se não houver diferença, acabou de poupar o café da tarde para o resto da vida. Se houver, encontrou a sua hora, que vale mais do que qualquer hora saída de um ensaio com doze pessoas.
Este texto é informativo e não substitui aconselhamento médico. A cafeína é processada pela mesma enzima do fígado que metaboliza vários medicamentos, e a sua eliminação muda com a idade, com hormonas, com o tabaco e com doença hepática: quem toma medicação, está grávida ou tem doença cardíaca fala com o médico ou com o farmacêutico antes de mudar hábitos de consumo. Nada aqui serve para começar, alterar ou interromper qualquer medicamento. Doses de cafeína em crianças e adolescentes são assunto para o pediatra. Em caso de dúvida sobre saúde, em Portugal a Linha SNS 24 atende no 808 24 24 24.
Resumo em passos
Para guardar no telemóvel e ter à mão na cama.
- 1
Contar em miligramas, não em cafés
Um café expresso servido em Portugal tem em média cerca de 75 miligramas de cafeína, pela medição feita na restauração em 2008. Os 400 miligramas usados nos ensaios são cerca de cinco desses cafés, tomados de uma só vez.
- 2
Somar o que não parece café
A cafeína também entra pelo chá, pelos refrigerantes de cola, pelo chocolate negro, pelos suplementos de pré-treino e por alguns analgésicos vendidos ao balcão. A conta do dia é a soma de tudo isso, não só o último café.
- 3
Olhar para a dose antes de olhar para o relógio
No ensaio de 2025, 100 miligramas não mexeram no sono a quatro, a oito nem a doze horas do deitar, e 400 miligramas mexeram nas três distâncias. Se houver uma coisa para mudar primeiro, é a quantidade da última dose.
- 4
Afastar as doses grandes do fim do dia
Quem toma uma dose grande de cafeína de uma vez — um pré-treino, dois cafés duplos seguidos, uma lata de bebida energética — tem razões para a afastar da noite, porque é nessa ordem de dose que os ensaios encontram efeito.
- 5
Testar em catorze noites, não em duas
A variação entre pessoas é a regra e não a exceção. Catorze noites com o último café à hora habitual, e depois catorze com ele três horas mais cedo, dizem mais sobre o seu caso do que qualquer recomendação geral.
- 6
Se toma medicação, perguntar antes de mudar hábitos
A cafeína é desmontada pela mesma enzima do fígado que processa vários medicamentos, e o tempo que demora a sair do corpo muda com o tabaco, com hormonas, com doença do fígado e com a idade. Quem toma medicação fala com o médico ou com o farmacêutico.
Perguntas frequentes
Até que horas se pode beber café?
Não existe uma hora com evidência forte por trás, e a recomendação mais citada — nada de cafeína nas seis horas antes de deitar — vem de um ensaio de 2013 com doze participantes que usou 400 miligramas de cafeína, cerca de cinco cafés expresso portugueses. Um ensaio de 2025 com 23 homens testou 100 miligramas a quatro, oito e doze horas do deitar e não encontrou efeito mensurável em nenhuma dessas distâncias.
Beber café depois do almoço estraga o sono da noite?
Um café expresso depois do almoço são cerca de 75 miligramas de cafeína, e essa ordem de dose não produziu efeito mensurável no sono nos ensaios que a testaram isoladamente. A cafeína do almoço conta para o total do dia, e é o total que interessa: quem soma quatro ou cinco cafés está a falar de uma dose muito diferente da de quem toma um.
Quanta cafeína tem um café expresso em Portugal?
A medição portuguesa mais citada, feita em cafés da restauração e publicada em 2009, encontrou uma média de 74,5 miligramas de cafeína por café expresso: cerca de 62 num café curto, 72 num médio e 88 num cheio. A variação entre máquinas e entre doses de café moído é grande — noutra análise, feita no Reino Unido, vinte expressos foram de 51 a 322 miligramas.
Quanto tempo a cafeína fica no corpo?
A cafeína tem uma semivida de quatro a cinco horas num adulto saudável, o que significa que metade dela continua no corpo passado esse tempo. Uma revisão de 2018 na Pharmacological Reviews reuniu valores publicados entre uma hora e meia e nove horas e meia, consoante a pessoa. É essa variação, e não o relógio, que explica porque é que a mesma hora de café resulta em duas pessoas de maneiras opostas.
Se bebo café todos os dias, a cafeína ainda me afeta o sono?
Um ensaio de 2021 acompanhou vinte homens habituados a cafeína durante dez dias com 150 miligramas três vezes ao dia e não encontrou alterações relevantes na arquitetura do sono nem na qualidade percebida. A última dose do protocolo ficava a meio da tarde, portanto o ensaio não diz nada sobre cafeína tomada à noite em consumidores habituais.
Fontes
Ligações para as fontes primárias, não para artigos sobre elas.
- Drake et al., Caffeine effects on sleep taken 0, 3, or 6 hours before going to bed, Journal of Clinical Sleep Medicine, 2013 — a origem da regra das seis horas. Doze participantes, 400 mg em cápsula, sono medido em casa: menos 1,18 horas de sono, sem que ninguém desse por isso
- Gardiner et al., Dose and timing effects of caffeine on subsequent sleep: a randomized clinical crossover trial, Sleep, 2025 — 23 homens, sete condições: 100 mg não mexeu no sono a 4, 8 ou 12 horas do deitar; 400 mg mexeu. Só homens jovens, e todos consumidores moderados
- Gardiner et al., The effect of caffeine on subsequent sleep: A systematic review and meta-analysis, Sleep Medicine Reviews, 2023 — 24 estudos: menos 45 minutos de sono total. O limite de 8,8 horas antes de deitar é extrapolado de um modelo, não medido diretamente
- EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies, Scientific Opinion on the safety of caffeine, EFSA Journal, 2015 — o parecer europeu que vale em Portugal: 200 mg de uma vez sem preocupação de segurança, e 100 mg perto da hora de deitar podem afetar o sono de algumas pessoas
- Nehlig, Interindividual Differences in Caffeine Metabolism and Factors Driving Caffeine Consumption, Pharmacological Reviews, 2018 — semivida de 4 a 5 horas em média, com valores publicados de 1,5 a 9,5 horas. É uma revisão narrativa, não uma meta-análise
- Burke et al., Effects of caffeine on the human circadian clock in vivo and in vitro, Science Translational Medicine, 2015 — atraso de cerca de 40 minutos no relógio interno com cafeína três horas antes de deitar. Cinco participantes — o número mais frágil deste artigo
- Weibel et al., The impact of daily caffeine intake on nighttime sleep in young adult men, Scientific Reports, 2021 — 20 homens, dez dias com 150 mg três vezes ao dia: efeito desprezável na arquitetura do sono. A última dose ficava a meio da tarde
- Crozier et al., Espresso coffees, caffeine and chlorogenic acid intake: potential health implications, Food & Function, 2012 — vinte expressos comprados ao balcão: de 51 a 322 mg de cafeína. Amostra pequena e de uma só cidade, mas mostra que a dose por chávena não se adivinha
- Casal et al., Avaliação do teor médio em cafeína do café expresso consumido em Portugal (canal HORECA), Café e Saúde, 2009 — a medição portuguesa: média de 74,5 mg por expresso. É um relatório técnico de 2008 depositado no repositório da Universidade do Porto, não um ensaio revisto por pares

Bruno Lopes
Designer e programador. Não sou médico.
Quando acordava a meio da noite, fumava um cigarro. Achava que me acalmava. Não me acalmava. Depois pegava no telemóvel — e essa, provavelmente, também já fez. Construo sites para viver e durmo mal há anos; quando fui procurar melhor, encontrei páginas paradas há uma década e publicidade a comprimidos. Por isso fui às fontes primárias e comecei a testar em mim, uma variável de cada vez. Não sou médico e não vendo nada que se tome.
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